Mais um pra lista de tabus: squirting

Letícia F. July 25, 2012 181
mangueira1 Mais um pra lista de tabus: squirting

Não é uma mangueira, não é uma cachoeira, tampouco é obrigatório

A gente sempre fala sobre ejaculação feminina nos comentários, mas eu nunca consegui escrever um post a respeito. É engraçado como uma coisa super natural vira mais um tabu na nossa já imensa lista de coisas-sobre-as-quais-não-se-fala. Eu nunca ejaculei, mas aparentemente nenhuma das minhas amigas já passou por isso. Isso foi uma ironia, porque é provável que alguma mulher conhecida minha deve ejacular. Meus amigos também nunca comentaram sobre um caso em que tenha acontecido.

Algumas leitoras contaram que uns outros blogs aí falaram de maneira pouco respeitosa sobre o squirting, chamando a secreção de “meleca” ou relatando um certo nojinho. Por favor, né, gente? Depois esse povo reclama quando a mulherada fica com nojo de esperma.

Também não se pode ficar se lamentando por nunca ter acontecido com você. Uma leitora explica o motivo:

Minha primeira experiência de squirting foi na adolescência, acho que com uns 13 anos, durante uma sessão particularmente longa de masturbação. Era uma espécie de “experimento científico” de estimular o clítoris até quase gozar, dar uma pausa, e começar de novo (só isso, nenhum dedinho ou objeto lá pra dentro). Antes que façam algum comentário, pois é, mocinhas também se masturbam. Umas mais, outras menos, algumas jamais (por questões pessoais/morais/religiosas/whatever), da mesma forma que os garotos. Get over it. 

Enfim… estava ali nessa ocupação, até que de repente veio o tal jorro (palavra feia do inferno). Após um certo pânico inicial ai-meu-deus-molhei-o-sofá, eu fiquei intrigada. Xixi? Não mesmo. A consistência era um pouco diferente, a cor e o cheiro não tinha nada a ver (há quem diga por aí que o cheiro é agradável). Eu nunca tinha ouvido falar que isso acontecia com as mulheres, mas imaginei que fosse uma espécie de gozo mesmo, e não pensei demais no assunto.

Anos depois, já transando por aí (deixei de ser virgem aos 16), eu comecei a perceber que o fenômeno acontecia de vez em quando durante a relação sexual. Meu primeiro namorado ficou meio assustado quando isso aconteceu durante uma sessão de sexo oral; todo molhado, perguntou se eu tinha mijado em cima dele. Expliquei como eu pude, ele se conformou e se molhou mais algumas vezes naquela ocasião.

Mais tarde, com outros namorados, aconteceu durante a penetração. Em algumas vezes, aliás, foi constrangedor. Por exemplo, o moço mandando bala ajoelhado na cama, a moça deitada de costas com as pernas nos ombros dele, e… sabe quando você coloca o dedo na mangueira e a água esguicha pra todo lado? Mais ou menos isso. Felizmente, os moços já tinham visto dessas coisas por aí (a pornografia presta um enorme desserviço às relações sexuais da vida real, mas nesse caso em particular até que serviu pra alguma coisa), e, após o espanto inicial, abriram o sorrisão estilo Cheshire Cat e continuaram o que estavam fazendo com ânimo e dedicação triplicados.

Só este ano ouvi falar no termo squirting (também feio), e resolvi me informar sobre o assunto na internet. Vi alguns vídeos em que saía uma enorme tromba d’água das moças, o que me parece um pouco exagerado (não sei como o negócio se parece quando acontece comigo, já que geralmente eu estou olhando pra outras coisas – talvez um dia eu tente com um espelho).Também vi muitos comentários internet afora de homens ansiosos por causar tal fenômeno na namorada, como se estivessem em busca do Cálice Sagrado. Tem até “técnicas infalíveis” por aí que me parecem bem idiotas, tipo fazer sexo oral com gelo (deve ter quem goste, mas uma vez quase bati num infeliz que veio com um gelo pra cima de mim. Que coisa desagradável!) ou halls preto (não tive o desprazer, mas se vierem eu também dispenso). Vi um monte de gente que jura de pé junto que squirting é lenda urbana (haha), além de muitas explicações físicas para o fenômeno – glândula não sei onde, ponto G… 

Bem… por experiência própria, digo que existe. Não é todo mundo que faz, e mesmo pra quem já experimentou não é sempre que acontece. Também não parece ter receitinha: pode acontecer com estimulação só no clítoris, clítoris + dedinhos lá dentro, clítoris + penetração, clítoris + anal, só penetração etc. A única regra, no meu caso, é que tenho que estar muuuuitíssimo excitada, o que quase sempre significa muita dedicação e nenhuma pressa. Mas mesmo esse fator não garante nada.

E atenção que isso é muito importante: a mulher ter ou não ter o squirting não significa que teve um orgasmo mais ou menos intenso. Às vezes é antes do orgasmo, às vezes acontece várias vezes enquanto durar o estímulo (você siriricando a mocinha, por exemplo), e isso não siginifica que ela está indo até a lua e voltando em todas as vezes que (ou só quando, hehe) ela molha o lençol. 

Entendo que para os homens nem sempre fica claro quando a mulher está gozando, e imagino que daí venha essa obsessão por “fazer sua companheira LITERALMENTE gozar litros”. Mas tem caras tão obcecados que acabam pressionando muito as namoradas, e as pobres ficam se sentindo frustradas se não inundam o quarto (ou mandam o cara à merda, o que faz muito mais sentido na minha opinião). Puta bobabgem, não entrem nessa onda. A pressão pelo sexo-performance já estraga a vida sexual de muita gente, ninguém precisa de mais uma “meta” pra desviar a atenção do que fazer sexo realmente é: dar e receber prazer. 

Enfim… Dica de ouro? Não importa o que fizerem; é só fazer bem gostoso. 

Post originalmente publicado em 28 de outubro de 2011 no Cem Homens.

PinExt Mais um pra lista de tabus: squirting

Compartilhe!
  • more Mais um pra lista de tabus: squirting


Fatal error: Uncaught CurlException: 60: SSL certificate problem, verify that the CA cert is OK. Details: error:14090086:SSL routines:SSL3_GET_SERVER_CERTIFICATE:certificate verify failed thrown in D:\web\localuser\cemmaisum\www\wordpress\wp-content\plugins\seo-facebook-comments\facebook\base_facebook.php on line 825