Cis, trans, hetero, homo, bi, o que for: todos nós temos questões sexuais

Letícia F. June 29, 2012 115
Cis, trans, hetero, homo, bi, o que for: todos nós temos questões sexuais

De vez em quando recebo críticas sobre escrever textos cissexistas. Acho injusto, bem injusto.

A reclamação é de que eu escrevo como se todo homem tivesse pênis e toda mulher tivesse buceta. E há mulheres trans com pau, por exemplo. Eu realmente gostaria de saber qual caminho tomar, mas não vejo como incluir num texto todas as possibilidades de gênero/orientação/preferências. Não tem como. Mesmo.

Até porque essas não seriam listas exaustivas, como mostra essa reportagem da Cynara Menezes na Carta Capital. Nada do que eu diga conseguirá englobar todo mundo, sem deixar ninguém de fora. Nunca. É impossível.

Agora imaginem como seriam os posts se eu tentasse incluir todas as possibilidades. Eu atrairia a ira de alguns, por tê-los deixado de fora. E o texto sofreria com interrupções a todo momento, para explicar que nem todo homem tem pau e nem sempre a penetração pau-dentro-da-buceta é o padrão.

Mas eu acho que já faço muito ao mostrar que não existe padrão no que se refere a sexo. Gritem, esperneiem, mas vocês não vão conseguir tirar da minha cabeça que sim, eu saio da curva.

Não faço listinha de como se dar bem, mostro que há diversidade em orientações e gênero, indico textos e outras obras que deem informações bacanas a respeito.

No entanto, eu não posso menosprezar quem é cis e hetero, como eu. Sou uma mulher com buceta (portanto, cis) e gosto de meninos. E é essa a minha área de expertise, pois é o que eu vivo há 32 anos.

Eu posso dar a dica, como fiz ontem na twitcam, sobre como usar a camisinha feminina porque eu sou cis. Porque eu tenho uma buceta. Porque eu fui lá, usei, escrevi a respeito.

Há um ano e meio eu escrevo s0bre sexo. De cis e hetero, com leves (bem leves) pitadas de homo/bi. Eu sei que há muuuuuuuuuito mais para se falar a respeito.

No entanto, eu não tenho tempo pra isso. Sinceramente gasto muito mais tempo com o Cem +1 do que eu poderia. Agora, que estou melhor de saúde, preciso procurar trabalho formal porque a Eletropaulo não aceita pagamento com posts ou seguidores no Twitter.

E, com isso, meu tempo para me dedicar ao site (seja escrevendo, seja lendo sobre assuntos que interessam aos leitores, seja interagindo nas redes sociais e e-mails) vai ficar ainda menor.

Mesmo que eu vivesse às custas do Cem +1, ainda assim eu não conseguiria dar conta sozinha de tudo o que se produz e já se produziu acerca da sexualidade. Eu tento me informar, acompanho uma série de blogs e tumblrs brasileiros e gringos que falam sobre o assunto, mas não dou conta.

Por isso, eu escolhi escrever sobre cis e hetero. Eu sei que para quem é trans a vida do cis parece mole. Mas não é. O sexo é encoberto de vários e vários e vários preconceitos pra todo mundo. Recebo emails com dúvidas totalmente bobas (para mim), mas sei que pra aquela pessoa a dúvida a atormenta e faz a vida sexual dela ser conturbada.

Estamos em 2012 e ainda estamos tentando entender como funciona o orgasmo, por exemplo. Se o Ponto G existe! Eu não posso virar as costas pras questões de quem é cis. Há muuuuuuuuita coisa a ser estudada/dita/compartilhada.

Se você acha que tem algo a dizer para os leitores do Cem +1 e não vê suas questões contempladas aqui (porque é trans, porque é bi, porque é homo), o meu email está sempre aberto a contribuições.

Já cheguei a convidar algumas pessoas para escrever no site, mas elas não puderam aceitar porque, ora vejam só, elas têm uma vida e não podem se dedicar a um projeto não remunerado.

Mas eu me dedico, porque tenho suporte financeiro da minha mãe. O que não vai durar pra sempre, óbvio, pois eu não quero me manter nessa situação.

Então, em vez de criticar, de dar piti no Twitter, de me xingar nos grupos, que tal me apoiar no trabalho que eu já faço, que é o de tentar desmistificar o sexo para o público cis e hetero?

Eu sou aberta, bem aberta. Meu pinterest é recheado de coisas que questionam a nossa ideia cultural de gênero. Fiz questão de incluir “outro” ao lado de “homem” e “mulher” na pesquisa feita no Cem Homens. Mas, ainda que eu reconheça essas questões de gênero e seja muito interessada no tema, eu não tenho embasamento técnico para escrever a respeito.

Assim, eu vos pergunto: que tal trazer para o site essas discussões de trans que você conhece muito mais do que eu?

Ah, mas é mais fácil jogar pedra em quem está tentando fazer um trabalho bacana, né? A escolha é de cada um. Eu já fiz a minha.

Atualização em 30 de junho de 2012: em razão das críticas a este post, escrevi um outro, explicando ~academicamente~ o meu posicionamento.

PinExt Cis, trans, hetero, homo, bi, o que for: todos nós temos questões sexuais

Compartilhe!
  • more Cis, trans, hetero, homo, bi, o que for: todos nós temos questões sexuais

115 Comentários »

  1. Vivien June 29, 2012 at 15:09 - Reply

    Você fala como se questões de pessoas trans fossem tão distantes assim das questões cis. Não são.

    Falar sobre o ponto G não serve só pra pessoas cis. Pessoas trans também tem bucetas.

    É claro que não sempre a mesma coisa, é claro que tem particularidades individuais e disforia com determinadas partes do corpo ou atos sexuais, etc.

    Mas, não precisa fazer uma lista de todas as identidades possíveis pra evitar falar, por exemplo, de vaginas como se apenas mulheres as tivessem.

    É fácil, se for falar de vulvas, fale de vulvas. Não suponha que a pessoa que a tem é uma mulher. “Pessoa que tem vulva”, “pessoa que tem pênis”, não é tão difícil quanto você tá achando que é evitar propagar cissexismo.

    E falar sobre experiências e pessoas predominantemente cis NÃO É a razão das críticas que você recebeu (pelo menos não as que vi e fiz).

    Existe uma diferença entre apagar identidades/propagar cissexismo e ter um foco específico/falar sobre pessoas específicas.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 15:11 - Reply

      Se você visse a twitcam de ontem, você veria que em determinado momento eu digo “gente que tem buceta, pq não necessariamente é mulher” (ou algo assim).

      Eu não falo a respeito, e pra você isso é APAGAR. Pra mim, não.

      Sinceramente? O que eu tinha pra dizer está no post. Você me lê há tempo demais pra saber que eu não sou essa escrotinha que você e seus amigos querem dizer que sou.

      ABRAÇO.

      • Vivien June 29, 2012 at 15:26 - Reply

        A crítica que eu fiz foi específica, sobre uma frase tremendamente cissexista. E a sua postura quando te falei sobre. Mais nada.

        Não tem nada a ver com falar sobre experiências trans* ou não. Até pq uma pessoa cis falar sobre experiências trans* é bastante suspeito e não é a melhor coisa possível.

        Todas as críticas que fiz foram específicas e pontuais.

        Como eu disse, existe uma diferença entre apagamento e enfoque específico. E se algo que eu vir eu sentir que está apagando identidades, vou criticar sim, pontualmente, e falar exatamente o que tem de errado e pq é apagamento.

        Não é perseguição nem nada assim, são casos pontuais.
        (E não ache que estou brigando ou tentando arranjar encrenca, estou justamente tentando dialogar e mostrar que a coisa não é dessa forma que você está mostrando e que ninguém está tentando te obrigar a falar sobre experiências trans*, muito pelo contrário, eu seria a primeira a criticar uma pessoa cis se propondo a falar sobre experiência trans* sem conhecimento suficiente)

        • Letícia F. June 29, 2012 at 15:28 -

          Cara, o texto não era nem meu. Você não criticou aqui. Você não falou com o autor do texto. Você fez mimimi nas redes sociais.

        • Lilian June 29, 2012 at 16:32 -

          Letícia, o fato do texto não ser seu não significa que você não possa ouvir as críticas por ele. Afinal o texto está hospedado no seu espaço. Ou você vai encarnar a política do Papo de Homem agora?

        • Letícia F. June 29, 2012 at 16:37 -

          Lilian, mas eu respondi às pessoas na época. Nunca disse “ei, vai falar com o autor”. Disse claramente que os textos passavam por minha edição e que eu não ia mudar, porque não achava cissexista. E continuo não achando. Sinceramente não vejo como escrever um conto sem usar as palavras “homem” e “mulher”.

        • Lilian June 29, 2012 at 16:49 -

          Letícia, a questão não é deixar de usar a palavra “homem” ou “mulher”. É reconhecer que o gênero de uma pessoa transcende o que ela tem no meio das pernas, apenas isso.

        • Letícia F. June 29, 2012 at 16:54 -

          Lilian, o texto era sobre homem + mulher. Exatamente isso. E por isso fui chamada de cissexista. Não vou editá-lo.

  2. Lilian June 29, 2012 at 16:14 - Reply

    Olha Letícia, dessa vez eu vou discordar da sua opinião.

    Não acho que pra vc ser mais inclusivo você tem que abarcar todo mundo, mas reconhecer que um texto pode ser cissexista e parar pra refletir sobre isso já é um puta crescimento. Reconhecer privilégios também é. Nós, pessoas cissexuais, estamos dentro de um padrão esperado por nós e isso é um privilégio, ora bolas.

    A temática sexo é um tabu na sociedade inteira, isto é fato. Tem poucas pessoas boas que falam sobre sexo? Claro que sim. E isto que você engloba apenas o sexo dito “padrão” heteronormativo. Agora imagina aí as pessoas que não se encaixam no padrão hétero cis, aonde elas lêem coisas bacanas sobre sexo? Será que tentar englobar a realidade dessas pessoas em alguns posts é algo assim tão complicado?

    Gostaria que você não levasse isto como um crítica pessoal, e sim como uma crítica pertinente a todos nós, pessoas cissexuais.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 16:43 - Reply

      Lilian, eu já deixei as portas abertas pra qualquer pessoa escrever a respeito. Inclusive a Vivien, que me lê há muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito tempo. Ela sabe disso.

      Eu não acho o texto cissexista só porque fala “homem tem pau”. Sorry. Continuo não achando.

      • Vivien June 29, 2012 at 16:51 - Reply

        Sim, pq você, uma pessoa cis, tem direito de definir o que é cissexista ou não, né? Em notícias relacionadas, vamos acabar com movimentos antirracistas pois eu sou branca e sofro também e elxs estão é exagerando com esse papo de racismo.

        E, desculpa, mas “homem tem pau” é EXEMPLO DIDÁTICO do que é cissexismo. Não tem JEITO NENHUM de definir isso como não-cissexismo.

        • Letícia F. June 29, 2012 at 16:53 -

          Vivien, eu tenho o direito de ter minha opinião. Não estou agredindo ninguém e nunca nem havia falado disso antes.

        • Vivien June 29, 2012 at 17:00 -

          Sim, você tem direito a sua opinião. Tem direito a ser machista, moralista, direitista, cissexista, transfóbica, racista (desde que não demonstre visivelmente, já que pelo menos racismo é crime).
          Você pode fode fazer todas essas coisas. Você realmente acha que o que eu estou falando é que você não possa?

        • Letícia F. June 29, 2012 at 17:01 -

          Você colocou no mesmo saco alguém ser de direita e racista? Hahahahah ai, depois só quem tem preconceito sou eu, né?

        • Vivien June 29, 2012 at 17:05 -

          Eu ia colocar marxista e feminista no meio também pra balancear e acabei esquecendo. Colocar direitista ali não foi necessariamente uma crítica nem tem qualquer subtexto. Só pra deixar claro.

        • Letícia F. June 29, 2012 at 17:26 -

          Ah, claro. Quando eu escrevo “homem” e “mulher” existe um subtexto e estou ~apagando~ trans. Quando você coloca SÓ COISA RUIM e coloca “direitista” no meio (que não é uma coisa ruim), você não tá criticando e nem fazendo subtexto?

          Tá.

        • Vivien June 29, 2012 at 17:44 -

          Creio que a diferença é que eu admiti o erro e corrigi.

        • Letícia F. June 29, 2012 at 17:49 -

          Hahahah depois que eu falei, né? Nossa, como ela é boazinha.

      • Lilian June 29, 2012 at 16:53 - Reply

        Sim, Letícia, assim como uma pessoa machista não acha nada demais em falar que o lugar de uma mulher é na cozinha.Quem vê o problema não é a pessoa privilegiada e sim a pessoa que sofre com a opressão.Se as pessoas trans* acham determinada colocação cissexista ela tem uma razão que nós, cissexuais, não vivenciamos porque não sofremos opressão.

        • Letícia F. June 29, 2012 at 17:00 -

          Lilian, você sabe que no feminismo nem todo mundo pensa igual, né?

          Por exemplo: existem feministas que acham que mulher dar o cu é degradante. Eu acho ótimo. E aí? Existe uma regra pra isso? Não.

          Assim como uma pessoa trans também colocou um comentário aqui dizendo que não acha o comentário cissexista. Só porque algumas pessoas falaram não quer dizer que é verdade.

          Veja bem: eu não estou dizendo que não tenho que cuidar da minha linguagem. Até falei pra Vivien que ontem, durante a twitcam, eu falei “gente com buceta” (ou com pau, não lembro), em vez de dizer “mulher”. Não é automático pra mim e eu tenho que cuidar, mesmo. Como eu faço para não emitir comentários machistas, por exemplo.

          Eu não passo por algumas opressões (sou branca e hetero, só pra ficar no que é mais óbvio), mas nem por isso deixo de reconhecer a opressão aos gays ou aos negros. Não é porque sou cis que não vou observar o que os trans passam. Mas isso não quer dizer que vou aceitar tudo que alguém diz só porque é trans.

  3. Xênia Mello June 29, 2012 at 16:22 - Reply

    Cisvergonhada…. só isso! Só faltou terminar com a máxima “eu sou feminina, não feminista!”

    • Letícia F. June 29, 2012 at 16:42 - Reply

      Puxa vida.

      • julio July 11, 2012 at 14:26 - Reply

        Olha eu não sei nada sobre isso tudo que vcs julgam saber, mas ao invés de criticar alguém que tenta falar abertamente sobre os problemas de “homens” e “mulheres” com relação ao sexo, não estava na hora de vcs ajudarem os que falam, ainda mais a Leticia dando total apoio? se vc acha que ela é isso ai que vcs dizem que ela é, não está na hora de criticar menos e fazer mais? a Leticia mesmo poderia entrar em blogs machistas e critica-los, o que ela preferiu fazer? criar o blog dela e falar sobre o que ela acha certo, sem criticar ninguém, muito pelo contrario ajudando pessoas como eu, que ainda não sabe nada, a ter um pouco de esclarecimento. Pois então ótimo, eu tbm não sei nada sobre cis, trans e afins, então por favor escrevam quem sabe, nos conte o que vcs passam, quem sabe amanhã eu tbm não posso estar, de uma forma mais acertada, ajudando vcs diminuindo o preconceito e abrindo a cabeça de outras pessoas. Acredito que o debate é sempre melhor do que ouvir apenas uma pessoa falando, mas vejo uma certa “pegação no pé”. Então por favor, ajudem o blog e nos ajudem a saber o que esta acontecendo no mundo de vcs. Obrigado!

  4. Rond June 29, 2012 at 16:23 - Reply

    Olha, assim: eu sou uma das pessoas que você bloqueou no twitter. Bem provavelmente não vai nem aprovar esse comentário, mas vamos lá: no post no grupo do BF, a gente deu dicas do que você poderia fazer – mas aí já não é problema nosso que você tenha ignorado. Só pra recapitular: a gente lançou a ideia de você fazer uma definição POSITIVA antes de escrever um texto. Não existe necessidade nenhuma de listar todas as possibilidades (até porque isso é impossível e vai excluir alguém) – é só dizer PRA QUEM você está escrevendo. Pra mulheres cis heterossexuais de classe média, por exemplo. Pronto. Ninguém vai reclamar do seu texto ter sido cissexista se ele não tem, realmente, cissexismo – você escreveu com um público definido.

    E, bom, só reforço o que a Vivien disse – você foi escrota com a gente, deletando e ignorando o que falamos. E.. por favor, tire a cabeça do umbigo pra dizer que “vida de cis não é mole”. Isso tá no nível de homem machista que diz que a vida dele também é pesada porque tem que sustentar mulher.

    Mas, ó: bem bonitinho você falar disso. Ao menos não ficou calada pra sempre.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 16:42 - Reply

      Se você me conhecesse, saberia que eu não deleto comentários contrários a mim, só os ofensivos.

      Se você me conhecesse, saberia que eu jamais disse que escrevo pra outro público. E assim, eu não sei se você sabe como funciona um blog… mas a gente começa escrevendo pra gente mesmo. O público vai se aproximando… e é claro que chamaria mais a atenção do público classe média/hetero/cis. Porque é isso que sou. E é um blog, com opiniões pessoais, e eu falo sobre o que entendo.

      Tinha certeza que alguém traria a questão dos privilégios/machismo para sempre. Eu não quero tirar o direito de ninguém. Eu não acho que sou melhor do que ninguém. E você bem sabe (ou deveria saber) que o machismo parte do pressuposto de que homens são melhores que mulheres.

      Eu não acho que cis são melhores do que trans. Mas também não acho que trans são coi9tadinhos que merecem algum tipo de tutela especial. Merecem ter os direitos que todo mundo tem. E tem muita gente cis que sofre PRA CACETE no que se refere a sexualidade. Não menosprezem isso.

      • Rond June 29, 2012 at 16:49 - Reply

        Eu não disse que você escreve pra outro público. Releia meu comentário – disse que você PODERIA escrever pra um público específico. Você, especificando pra quem está escrevendo, deixaria de excluir pessoas com generalizações. Foi basicamente isso o que eu disse.

        E, sim, concordo que pessoas trans* não devem ser coitadinhas. Da mesma forma que acho que mulheres não devem ser coitadinhas – mas de forma alguma eu coloco mulheres e homens no mesmo “patamar social”, crio equivalências e ignoro o que mulheres falam sobre a forma com que eu as trato/escrevo sobre elas.

        E CLARO que pessoas cis sofrem com sexualidade. Todo mundo sofre com sexualidade na nossa sociedade. Mas é bem arrogante da sua parte dizer que existe um “apagamento cis” por parte de pessoas trans – o mundo está estruturado de forma a nos – pessoas cis – privilegiar. Independente do tipo corporal, da orientação sexual – ainda não somos nós que temos problemas pra irmos em urologistas porque seria absurdamente desconfortável suportar os olhares.

        • Letícia F. June 29, 2012 at 16:56 -

          Sério que você quer pautar o meu blog? Dizendo que eu tenho que AVISAR pra quem eu estou escrevendo? É demais isso, viu?

          Eu já deixei o meu email aberto, COMO SEMPRE FOI, e se você quiser escrever sobre suas experiências você terá espaço. Sempre deixei isso claro.

          De resto, eu não vou mais responder os comentários.

  5. Rob June 29, 2012 at 16:32 - Reply

    Oi Le.Sou um transcara e gay e não vejo seu blog como cissexista.
    Pq pra começo de conversa sei que é seu blog e vc escreve o que quiser nele.Segundo pq vc se mostra bem mais aberta a essas questões do que muito blogueiro por aí.E terceiro pq eu simpatizo com vc desde o Cem Homens.
    Não a vejo como cissexista e quero q vc saiba que gente reclamona tem todas as comunidades,até na nossa.
    E caso vc precise de alguem pra comentar sobre o assunto no blog,eu gostaria de faze-lo apesar de não escrever muito bem e ainda estar com um pé no armario.
    Abraços \o/.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 16:36 - Reply

      Rob, qualquer ajuda é sempre válida.

  6. Maine June 29, 2012 at 16:40 - Reply

    Ironicamente, indico um texto do Papo de Homem:

    http://papodehomem.com.br/como-agir-ao-ser-chamado-de-machista-racista-homofobico-um-guia-para-nos-todos/

    (substitua machista/homofóbico por cissexista)

    O blog é seu, você pode escolher fazer este recorte hetero e cis. Agora ficar se vangloriando porque já faz demais, justificar que os hetero/cis também tem muitos problemas, e etc. já é demais. Só faltou usar a velha desculpa esfarrapada: “como podem me chamar de cissexista? Eu até tenho amigxs trans*! Eu até compartilho imagens no pinterest sobre isso!”

    Muito melhor seria você ser simplesmente honesta, falar que este é o seu recorte e a sua limitação, mas sem menosprezar jamais as críticas das pessoas trans* dessa forma.

    Abraços,

    • Letícia F. June 29, 2012 at 16:45 - Reply

      Eu NUNCA disse que não escrevia pra esse público, pelamordedeus.

  7. Fernanda June 29, 2012 at 17:29 - Reply

    Credo que povo chato!!! O blog é da Letícia e ela escreve o que ela quer! Não gostou?! VAZA! Ou então tente ser o mais informativo possível com questões importantes e não com mimimi. Otimo texto.

  8. Bruna June 29, 2012 at 17:58 - Reply

    “Sou uma mulher com buceta (portanto, cis) e gosto de meninos.”

    Ser uma mulher com buceta não faz de você obrigatoriamente cis.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 17:59 - Reply

      Vamos lá. Dificulte BASTANTE o entendimento que é pra continuar sendo marginal.

      • Vivien June 29, 2012 at 18:04 - Reply

        Mas a Bruna está certa. Mulheres trans também podem ter vulva.

        Ser cis é ser uma mulher que foi designada mulher ao nascer, não tem nada a ver necessariamente com corpo (até pq tem gente intersexual, né)

        • Letícia F. June 29, 2012 at 18:06 -

          Vivien, beleza.

          Você sabe que entre as feministas têm as que falam difícil, que usam palavras pouco usuais… e por isso mesmo elas não são ouvidas?

          Pois é. Vá nesse caminho que você vai se dar muito bem.

        • Vivien June 29, 2012 at 18:15 -

          Sim, quem liga pra usar os termos incorretamente e apagar um monte de identidade marginalizada por aí, né? O importante é que as pessoas cis entendam com o mínimo de esforço possível.
          Sabe, EU tive que aprender essas coisas também. Ninguém vai morrer por ter que pensar um pouco.

        • Letícia F. June 29, 2012 at 18:26 -

          Vivien, de verdade: chega. Você já pagou mico aqui hoje tendo um comportamento igualzinho ao que você critica em mim. Não foi suficiente? Não vou aturar piti.

  9. Marcos June 29, 2012 at 18:33 - Reply

    Bom, que o texto seja cissexista ou não, é coisa da Letícia e concordo com a Fernanda e outros comentaristas a respeido de a Letícia poder escrever o que quiser – o blog é dela, fato. Mas só acho que ela está incorrendo em um mesmo erro que incorreu frequentemente no antigo blog: ficar reclamando nos posts que leva pedra no que fala. Isso só dá margem e ânimo pras pessoas jogarem ainda mais pedra.

    Como seguidor do blog, claro que me importa o que a blogueira sente a respeito das coisas. Mas, ao se expor no “universo faroeste” que é a blogosfera, tem que estar consciente de que pedra, a gente sempre vai levar – é o preço que se paga por ser impossível agradar a todos. Isso acaba desviando o foco dos posts e acaba ficando cansativo.

    Sábio foi Mário Quintana ao escrever:

    “Todos estes que aí estão
    Atravancando o meu caminho,
    Eles passarão.
    Eu passarinho!”

    Passarinhe, Letícia.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 18:38 - Reply

      Marcos, eu escrevi sobre outras coisas hoje também. Mas vou escrever sobre as pedradas. Esse é o mundo como ele é, e eu organizo o pensamento escrevendo. Vou continuar fazendo isso.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 18:39 - Reply

      Ah, e é bem cansativo ler reclamações do lado de cá também, viu?

      • Marcos June 29, 2012 at 18:41 - Reply

        Vi, eu sei como é. Não em blogs, mas fora do mundo virtual. Bom, a vida é feita de escolhas. Respeitemos a sua, pois.

  10. Flá June 29, 2012 at 20:16 - Reply

    ahuiahiuhaiuhaia,ai,eu ri com o comentário de “uiuiui,agora tem q falar fácil pros cis entenderem”,hauihaiua,QUE HORROR tentar ajudar na compreensão das pessoas,né, se VCCCCCCCC sofreu pra aprender,que todo mundo sofra…pra que expor a opinião-e as informações- de forma compreensível se a pessoa pode jogar trocentas palavras difíceis no meio e sair como a fodona?

    Mas enfim,nem eh esse o assunto…a questão é que eu acho um assunto MUITO interessante. E ia gostar se esses comentadores escrevessem um post (guest aqui ou em qqr outro lugar) discorrendo sobre isso…mas sabe, não entendo essa revolta,esses comentarios com aquele fundinho de ataque pessoal, essa vibe errada de “shiu,sua preconceituosa,vc falou td errado!”…porra,o post inteiro era sobre isso,sobre não saber lidar com isso,sobre deixar o email disponível pra quem quisesse falar sobre aí de repente galere vai botar no twitter e fazer “bonde da tamancada”????????

    Sei lá,não entendo mesmo.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 20:19 - Reply

      Nem eu.

  11. malu June 29, 2012 at 20:22 - Reply

    leticia, gosto do seu blog, entao espero q vc nao se ofenda. duas coisas: concordo que voce tem todo direito de focar seu blog nas suas experiencias e atrair um publico parecido com voce, cis, hetero, etc. quer dizer, foi isso q eu entendi do seu texto. mas se voce deixou um convite aberto pra quem quiser escrever sob um ponto de vista trans, eu entendi errado, desculpa.

    a outra coisa é: vc reagiu mal às criticas, o seu post tem um tom vitimista que deve estar irritando os trans. da mesma forma que o pdh nos irritou daquela vez. entao entendo os coments deles reclamando. serio, o fato de terem falado mal no twitter ou diretamente com vc nao faz diferença se a critica é fundamentada.

    por outro lado, a diferença obvia, pra mim, é q o pdh publicou o tal texto após ofender seriamente a todas as mulheres retuitando texto misogino e fazendo gracinhas machistas ao serem criticados.

    e, pelo oq eu entendi, vc nao ofendeu os trans, mas invisibilizou, sem querer. é diferente vc falar besteira por ignorancia (e eu me incluo nesse bonde q acha esse lance de trans confuso) de fazer um texto transfobico e depois se desculpar a la pdh. sao situaçoes diferentes, galera. nao da pra comprar a leticia com aquele episodio do pdh.

    oq eu acho q talvez ajude a diminuir a invisibilidade é: falar “homem” ou “mulher” quando for falar de comportamento e relacionamentos pq aí a mulher trans provavelmente vai receber um tratamento parecido com o da mulher cis. e falar em “pessoas com pau” ou “buceta” quando for tratar de um assunto mais biologico (ex: orgasmo, uso de preservativo, etc)

    talvez eu esteja equivocada, mas é oq a minha limitação no assunto me permite opinar. espero, de verdade, q vc nao leio isso como um dedo apontado pra vc. estou do seu lado. to tentando apenas entender as reclamaçoes junto contigo. nao precisa nem publicar, se vc nao quiser.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 20:29 - Reply

      malu, eu sinceramente não vejo isso como “apagamento”. li um texto agora mesmo sobre isso. um texto muito bem escrito, mas que fala sobre como as pessoas tratam de maneira diferente quem é trans. eu JAMAIS tratei diferente. e, como disse, até na twitcam tentei evitar usar termos como “homem” e “mulher” justamente porque estava falando de algo biológico.

      se as pessoas querem criar antipatia, beleza. problema delas. eu sempre deixei o espaço aberto para elas falaram sobre o assunto aqui. nenhuma nunca se dispôs. porque dá trabalho, porque é chato escrever e colocar a cara a tapa, etc. eu faço isso há quase dois anos.

      pois agora, se essas mesmas pessoas me procurassem para postar algo aqui, eu não permitiria. pra mim a conversa acabou quando incitaram a agressão.

  12. frenanda June 29, 2012 at 20:55 - Reply

    ai desculpa, mas achei muito chato esse papo. nao sei de que texto estão falando, mas como vc não vai ser o que vc é? quer dizer, falar sobre o que tu nao sabe como é, se não és trans, nem homem, nem lésbica, nem o que for…
    falas com a tua percepção e muito bem,
    talvez seja uma convidar as pessoas de diferentes orientações a escrever aqui.

    • Letícia F. July 6, 2012 at 14:35 - Reply

      eu já chamei.

  13. Livia June 29, 2012 at 21:02 - Reply

    de boa, não entendo essa discussão toda.
    isso aqui é um blog pessoal onde a pessoa que é dona (no caso, a Leticia) escreve SOBRE O QUE DER NA TELHA.
    Não entendo esses debates sobre travesti que se sente marginalizado ou whatever que seja.
    Vai ler blog de travesti (ou whatever que seja) e pronto.
    Mania que todo mundo tem de se sentir marginalizado, que sofre bullying, que vive à margem da sociedade, de se vitimizar no geral. TODOS temos nossas mazelas, seja hetero, homo, gordo, magro com estria na bunda que ficou mais de um ano sem dar (eu).
    Se geral entender que cada um tem que viver a sua vida da melhor maneira possível tudo será mais fácil. A solução tá dentro da gente. Nós é que fazemos tudo acontecer, tanto pro bem quanto pro mal.
    Ema ema ema. Então? É viado, sapatão, assexuado, hetero que nao come ninguém? Vá ler, vá se informar, crie um blog e foda-se. Mania de ficar jogando os problemas nos outros.

    • Letícia F. June 29, 2012 at 21:58 - Reply

      Livia, as coisas não são tão simples assim.

      • Livia June 30, 2012 at 18:18 - Reply

        sim Lê, não são, mas isso pq todo mundo complica e se vitimiza sempre.

  14. Si (Simone) June 29, 2012 at 22:08 - Reply

    Letícia, eu acho bom vc mudar a cor do seu blog, pq pode ser que alguém que goste de amarelo se sinta ofendido pq vc usou vermelho… rs

  15. Carol A. June 29, 2012 at 23:23 - Reply

    Pode parecer bobagem, mas eu sequer sabia o que era cis quando vi a Letícia comentando no twitter (fui pesquisar sobre já que me senti envergonhada de perguntar algo tão básico). Mesmo esse post sendo um desabafo ele acaba expondo esse tema tão pouco difundido. Porque não aproveitar a porta aberta aqui para explorar ainda mais essas questões e esclarecer as pessoas que, como eu, desconhecem esse universo? Muito mais edificante que a crítica pela crítica..

    • Letícia F. June 29, 2012 at 23:31 - Reply

      Carol, o pior é que algumas dessas pessoas acompanham o site há séculos e eu já falei mil vezes que podem contribuir com textos e outras coisas, sabe? Mas querem é encher a porra do saco.

  16. bete_davis June 30, 2012 at 01:51 - Reply

    acho que a Malu, a Vivien e a Lilian pontuaram bem algumas coisas. da minha parte acho que vc só pode contribuir deixando claro que esse é um blog pessoal, com desabafos pessoais e sem nenhuma pesquisa ou embasamento, que aqui vc coloca suas opiniões de acordo com os seus sentimentos. pq sendo assim, seus leitores não se sentiram informados academicamente sobre o tema, pois a opinião está baseada em sentimentos pessoais, se eles quiserem concordar ou não. aí é com eles.
    indique fontes de pesquisa para que eles formem livremente a opinião deles. diga que ao ler tais ou tais textos vc se sentiu assim. acho que a grande preocupação de todos é que devido ao seu alcance vc se torne uma formadora de opiniões baseada em seus julgamentos e emoções e não em dados ou pesquisas, por isso as pessoas que não são cissexuais se sentiram apagadas, a luta é delas, mais que nossa para se fazerem visíveis e trem direitos que não tem.
    Ademais acho mesmo, que agente atrai pro blog gente parecida coma gente, é a zona de conforto, que se repete na net como na vida. Sou cissexual, branca. classe média que sempre viveu bem, reconheço meus privilégios e acho particularmente mais fácil deixar isso bem claro quando dou uma opinião, pq o meu ponto de vista tem a ver com quem eu sou, posso enxergar o lugar do outro sim, mas jamais estarei na pele dele. bjs

    • Letícia F. June 30, 2012 at 02:22 - Reply

      Eu vi que você é uma das pessoas que está fazendo fofoquinha no Twitter. O que acho bem chato, porque até bem pouco tempo atrás nós tínhamos uma boa relação online.

      Isto posto, SEMPRE que eu escrevo um texto opinativo (como este), isso fica beeeeeeeeeem óbvio. Nos que efetivamente há algo técnico eu indico links e fontes de pesquisa. Agora é um pouco demais você querer dizer como eu devo escrever meu próprio blog, não é?

      Eu não escrevi o texto acima com ~requintes acadêmicos~ porque achei desnecessário e não ficaria de fácil compreensão. Mas por qual razão mesmo a minha opinião não tem valor? Porque eu não tenho mestrado/doutorado? Não entendi. De verdade.

      Mas já que você precisa de um link pra levar a sério o que escrevo, aí vai: http://pastebin.com/a86eXALq

      Leia e depois a gente conversa.

  17. bete_davis June 30, 2012 at 02:42 - Reply

    linda, se eu estivesse fazendo fofoca – 1- eu não teria tirado o cadeado- 2 eu estava comentando sobre comportamento de que nào gosto em blogs e escrevi o mesmo que comentei por lá, mas como não escrevi com sua arroba, vc que está procurando seu nome na TL. apontei comportamentos de que não gosto em blogs. e escrevi o mesmo aqui. se vc não aceita nenhum comentário com esse argumento vc quer me dizer o que escrever no meu próprio blog – feche os comentários letícia, vc não está aberta ao debate, vc só quer aplausos. no momento em que vc torna público um texto ele está aberto a críticas positivas e negativas, vc não sabe lidar com críticas negativas e elas são aos textos e nào a vc. vc pode revisar o modo de escrever, por exemplo. ou pode admitir que não gosta de que discordem, isso também é saudável paar que vc não se sinta atingida toda vez que alguém discorda dos seus posts. em nenhum momento vc argumentou sobre como está o seu texto, sobre a sau opinião- seu argumento é- o blog é meu- eu escrevo como eu quiser. o que tentamos apontar é que vc ao escrever como quer ás vezes fere pessoas ou presta um desserviço a uma causa cara a pessoas. Abs.

    • Letícia F. June 30, 2012 at 02:48 - Reply

      Você leu o link?

  18. bete_davis June 30, 2012 at 03:05 - Reply

    letícia, depois que reclamei da falta de referências teóricas vc linkou pra mim, no comentário. a crítica diz respeito a falta de link no post. o que eu quis dizer e repito é que vc postou uma opinião pessoal, praticamente um desabafo, o link não está no corpo do texto, embasando seu ponto de vista para todos os leitores. é disso que sinto falta em posts como este. Li e me sinto pouquíssimo á vontade para opinar sobre cissexismo porque não entendo muito do assunto, comecei a ler sobre o assunto faz pouco tempo. E você, no seu post, não ajudou muito o leitor a entender também, concorda? é isso que as meninas apontaram tb. bjs

    • Letícia F. June 30, 2012 at 03:13 - Reply

      Não, não foi isso que apontaram. E o texto é um desabafo, sim. Você conhece o blog há séculos e sabe muito bem como eu escrevo. Aliás, você conhece como BLOGS funcionam… É opinião do autor, basicamente. Ainda é necessário explicar isso?

  19. Guilherme Assen June 30, 2012 at 03:12 - Reply

    sou o único que acho que cis, trans, homem, mulher e outras definições fazem muito mais sentido para a biologia e para a medicina do que para o que estamos tentando debater? a intenção, acredito, não é vestir esta ou aquela camisa e vamos para o jogo contra os adversários. a não ser que seja a camisa da liberdade e da igualdade. acho que o blog – que tem dona e, portanto, personalidade e interesses muito próximos de sua autora – é discutir a liberdade sexual. no caso, liberdade esta exemplificada e pautada pelas experiências da autora – repito. nasci homem e namoro uma mulher, mas isso vai além de meu gênero. nasce de minhas escolhas e de minhas experiências. tentar reduzir isto a um “nasci homem e escolhi ser hétero e, portanto, sou cis” é reduzir toda minha experiência sexual em um rótulo. definitivamente, a questão sexual/ racial/ social não será resolvida com rótulos.

    minha opinião? a sociedade não nos encara de forma igualitária. há machisto, há sexismo, há racismo. se nós, que buscamos que isso algum dia acabe, começarmos a nos auto-rotularmos diferentes, estamos fadados ao preconceito. mas, repito, é minha opinião.

    • Letícia F. June 30, 2012 at 03:20 - Reply

      CADÊ LINK? Aqui só pode colocar opinião se colocar link junto.

      • Guilherme Assen June 30, 2012 at 03:25 - Reply

        está aqui, ó. http://www.FOGOAMIGO.com.br

        • Rê_Ayla June 30, 2012 at 22:02 -

          “sou o único que acho que cis, trans, homem, mulher e outras definições fazem muito mais sentido para a biologia e para a medicina do que para o que estamos tentando debater? a intenção, acredito, não é vestir esta ou aquela camisa e vamos para o jogo contra os adversários. a não ser que seja a camisa da liberdade e da igualdade.
          minha opinião? a sociedade não nos encara de forma igualitária. há machisto, há sexismo, há racismo. se nós, que buscamos que isso algum dia acabe, começarmos a nos auto-rotularmos diferentes, estamos fadados ao preconceito. mas, repito, é minha opinião.”

          Não, não é o único. Acho que rótulos não servem ao intuito de querer que todos sejam tratados da mesma forma e tenham o mesmo direito.

    • Carol A. June 30, 2012 at 14:14 - Reply

      O que vejo aqui tá mais para uma discussão de linguagem do que de ordem biológica. Acho que quando se escreve para muitos tipos de público fica meio inviável usar termos muito específicos. A generalização se faz sim necessária. Nosso idioma tem raizes muito antigas e algumas construções bem conservadoras, mas que precisamos usar para nos fazer entender (algumas feministas não concordam com o genero masculino ser usado quando falamos de um grupo heterogeneo, mas se usarmos o feminino como padrão a mensagem não ficará clara). Felizmente ele também evolui e aos poucos vai se adaptando aos novos tempos. Mas é um processo demorado e complicado. Não adianta trocar por “cis” se a grande maioria das pessoas não irá entender. Os termos novos normalmente vão aparecendo aos poucos naturalmente depois que o tema começa a ser tratado com frequência (digo isso em relação ao grande público). Acredito que há bem pouco tempo atrás hetero e homosexual eram palavras desconhecidas. Falar sobre os grupos que ninguém fala já é por si só um grande ato de inclusão pois irá fazer muita gente pensar a respeito e irá expor. Bom, é o que eu acho, sem nenhum link para compor a tese :)

  20. Fernanda June 30, 2012 at 09:55 - Reply

    Gente, se ela fala “homem tem pênis” é a verdade, horas. Querem uma nota de rodapé dizendo “não só homens, mas outras pessoas também podem ter”? Não faz sentido abolir as palavras homem e mulher de todos os textos. Se ela está falando de cis, pq falar pessoa em vez de homem ou mulher?

    Lembrando que sexo é definido no nascimento, gênero é que não é. Então se eu estou falando de sexo, homem tem pênis e mulher tem vagina. Se eu estou falando de gênero aí sim as coisas podem ser diferentes, os conceitos ficam mais subjetivos.

    Além disso, ninguém é obrigado a englobar todos os comportamentos de gênero no seu texto.

    • Letícia F. June 30, 2012 at 16:31 - Reply

      Exato, Fernanda!

      Mas aí alguns trans dizem que eu estou APAGANDO eles. Pode?

      Não entendem que existe uma diferença grande entre discriminá-los e não abarcar todas as possibilidades de gênero num texto. Colocam tudo na sacola da transfobia e pronto.

      Não entendem, também, que eu sempre fui muito aberta a contribuições, mas que este não é um blog acadêmico (e por isso mesmo tem tantos leitores!) e, portanto, não faz sentido eu ser criticada por não colocar o * depois de trans. As pessoas não sabem nem o que é trans, imagine trans*.

  21. Júlio June 30, 2012 at 12:26 - Reply

    Letícia, eu estava evitando comentar aqui, mas não consegui. Eu vejo você reclamando que as pessoas estão querendo “pautar o seu blog”… mas, sinceramente, não vejo isso.

    O que vejo são pessoas trans* pedindo apenas que, ao falar de sexo, você não se expresse de formas que reforçam o cissexismo – como quando você reforçou a relação entre genitália e gênero ao postar que “homem tem pau e mulher tem buceta” (mesmo que o texto não seja seu, ele está no seu blog), e quando diz que é cis porque é mulher e tem buceta (porque mulheres trans* pós-operação também tem buceta, então…).

    Ninguém quer que você fale da vida sexual de pessoas trans*, ou de como é fazer sexo com pessoas trans*, ninguém quer que você fale do que você não conhece. Só se pede que, com o conhecimento que eu entendo que você tem, você não ofenda pessoas excluindo as identidades delas do seu discurso. Aliás, eu discordo que seja impossível falar de sexo sem ignorar a existência de pessoas não-cis – não vejo nem uma mudança de abordagem comonecessária (porque preliminares, sexo oral, e vários tipos de penetração podem existir tanto em relações cis, quanto trans*, então…), só uma atenção lexical mesmo.

    E, hm, isso não me parece pautar seu blog, visto que não há nenhuma reinvidicação, sequer sugestão, de que você inclua certas pautas.

    Aliás, o que eu percebo nessas reclamações, e que me parece que você ignora, é que elas demonstram a importância do teu blog na blogosfera brasileira hoje. Afinal, seu blog fala de sexo e sexualidades se propondo a romper com alguns mitos (como você deixou claro nesse texto) e preconceitos, o que é muito bom. Conheço pessoas que tiveram seu primeiro contato com noções não-preconceituosas de sexo graças a você. Então, ao “reclamarem” de sua escolha lexical, eu vejo que há um reconhecimento dessa tua importância, e uma dica de como tu pode continuar teu caminho de desmistifica e descontruir certas ideias de sexo ao mesmo tempo que implode a ideia de anormalidade dos corpos e sexualidades trans*, que é o que baseia a transfobia.

    Espero ter me expressado bem e ter me feito entender.

    Abraços.

    • Letícia F. June 30, 2012 at 16:28 - Reply

      Júlio, eu sou alvo de piadinhas e ontem disseram para vir aqui “tamancar” meu texto. Isso pra mim não é uma discussão saudável, tampouco de reconhecimento da importância do blog (como você apontou).

  22. Natasha June 30, 2012 at 18:10 - Reply

    Sou cis e estou cisvergonhada para todo o sempre!

    Seguinte:

    - LETÍCIA: Não é vc, enquanto pessoa cis, que pode dizer o que é cissexista ou não. Se alguém diz que vc usou uma expressão cissexista, e TE APONTA UM MEIO MUITO SIMPLES DE EVITAR USÁ-LA NO FUTURO, e vc não apenas não segue o conselho, como continua insistindo que não foi cissexista…vc está seguindo um manual de como ser cissexista. Sério, desenharam pra vc uma forma de fazer com que o texto não apagasse identidades trans, e vc preferiu ignorar. Se vc tem duas formas de escrever, uma que pode causar desconforto e apagamento, e outra que não vai causar nenhuma dessas duas coisas, pq usar a primeira? Só pode ser pq vc acha que respeitar identidades trans não vale o “imenso esforço” que teria que fazer pra colocar um aviso no seu blog de que escreve com pessoas cis em mente, ou pra usar expressões simples como “mulheres cis” ou “homens, em geral, tem pinto” ou “pessoas com buceta”. Não é incomum que eu reflita sobre a minha linguagem pra não perpetuar cissexismo. É rápido e indolor, até agora não tive enxaqueca por conta disso.

    - Se vc acha que usar a palavra “cis” é “falar difícil”, explique o que significa a palavra, ué. Se vai dar tanto trabalho assim colocar uma definição, linke para algum site que defina a palavra por vc. Se vc prefere não usar a palavra cis é sinal de que o que importa pra vc é que pessoas CIS façam o mínimo de esforço possível ao ler seu blog (e o desconforto que isso pode gerar em pessoas trans que se dane né?)

    - FERNANDA: Nem todos os homens tem pênis. Simplesmente pediram pra Letícia reconhecer esse FATO, mas ela se recusou e ainda quis posar de vítima pq, veja só, um texto dela que é público recebeu críticas. Vc diz que “se ela está falando de pessoas cis”, mas ela tb se recusa a especificar que está falando pra pessoas cis. Pq nós deveríamos presumir que, qdo ela diz “homem” e “mulher” está falando de gente cis? Pq pessoas cis são o “ser humano padrão”, o resto é exceção?

    - GUILHELRME: “tentar reduzir isto a um “nasci homem e escolhi ser hétero e, portanto, sou cis” é reduzir toda minha experiência sexual em um rótulo”. Ser cis não tem NADA a ver com orientação sexual. Pessoas designadas homens ao nascer que sentem-se homens e namoram homens são tão cis qto vc. Talvez vc compreendesse isso se gente como a Letícia, que se dispõe a falar de sexo, não tivesse decidido que identidades trans são um assunto tão irrelevante.

    • Letícia F. June 30, 2012 at 21:37 - Reply

      Porque você faz questão de dizer que é cis? Pra gerar algum tipo de identificação? Pra posar de fodona? Tipo “nossa, até eu que sou cis reconheço os trans”.

      Eu não sou transfóbica. Reconheço o direito de qualquer pessoa fazer o que quiser com o próprio corpo. Respeito isso.

      No entanto, eu não vou incluir essas expressões no meu texto. Você vai dizer que toda a literatura produzida no mundo é cissexista? Faça-me o favor!

      E também não venha com a falácia de que o que eu escrevo aqui não é literatura, porque aí já seria demais.

      • Júlio June 30, 2012 at 22:34 - Reply

        “No entanto, eu não vou incluir essas expressões no meu texto. Você vai dizer que toda a literatura produzida no mundo é cissexista? ”

        Mas, Letícia…a maior parte da literatura produzida no mundo É cissexista, por nem considerar a existencia de pessoas trans*! Você consegue lembrar de alguma obra que contemple trans* como personagens?

        Não entendo porque considerar a maior parte da literatura mundial cissexista parece tão absurdo pra você. Ela é cissexista…porque o mundo é, cissexista, racista, misógino, homofóbico, etc e talz.

        • Letícia F. June 30, 2012 at 22:42 -

          Júlio, como você e seus amigos têm vindo muito aqui me contestar, você diria que são cisfóbicos? Porque pelo que eu me lembro alguns desse grupo adoram a expressão “cis scum”….

      • Vivien June 30, 2012 at 22:35 - Reply

        “Eu não sou transfóbica”
        Boa tentativa, mas não é você quem decide.

        “Você vai dizer que toda a literatura produzida no mundo é cissexista?”
        Erm, sim? Quase toda a literatura produzida no mundo também é machista. Muita da ciência produzida no mundo é machista. Isso significa que tudo bem ser machista então?

        • Letícia F. June 30, 2012 at 22:41 -

          Não, eu não sou, Vivien. E você sabe disso. Mas quer ver o circo pegar fogo, né? Pegue a pipoca e escolha um lugar onde você possa enxergar o espetáculo com conforto.

  23. Nina July 1, 2012 at 00:22 - Reply

    “Eu sei que para quem é trans a vida do cis parece mole. Mas não é. O sexo é encoberto de vários e vários e vários preconceitos pra todo mundo.”

    Agora substituindo trans* por negro e cis por branco e sexo por vida:
    “Eu sei que para quem é negro a vida do branco parece mole. Mas não é. A vida é encoberta de vários e vários e vários preconceitos pra todo mundo.”

    -APENAS.

    • Letícia F. July 1, 2012 at 00:26 - Reply

      Você jura que você está comparando coisas incomparáveis?

      Uma pessoa não está ~oprimindo~ só porque usa as palavras HOMEM E MULHER sem usar cis e trans depois. Até pq gênero é uma coisa, sexo é outra. You should know better.

      • Vivien July 1, 2012 at 01:46 - Reply

        Sim, uma pessoa ESTÁ OPRIMINDO se usa as palavras homem e mulher excluindo homens e mulheres trans.

        Colocar homens e mulheres cis como o padrão, que não precisa ser designado, é opressão cissexista.

        • Letícia F. July 1, 2012 at 02:01 -

          Vivien, você ainda está aqui? Não se cansou ainda de falar mal de mim em toooooooooodos os grupos que você faz parte?

          Você está confundindo as definições de sexo e gênero. E você SABE que está, porque estudou a respeito.

          http://www.who.int/gender/whatisgender/en/

        • Vivien July 1, 2012 at 04:16 -

          Exceto que essa definição de sexo e gênero é toda cagada, cissexista e apaga completamente pessoas intersexuais.

        • Letícia F. July 1, 2012 at 04:23 -

          Hahahahahah tá.

        • Vivien July 1, 2012 at 04:31 -

          “The entire concept of “sex” is simply a way of attaching something social– gender– to bodies. This being the case, I believe the most sensible way to look at the question of sex now is this: a male body is a body belonging to a male– that is, someone who identifies as male. A female body is a body belonging to a female– that is, someone who identifies as female. Genderqueer bodies belong to folks who are genderqueer, androgynous bodies belong to androgynes, and so forth, and so on”
          http://tranarchism.com/2010/11/26/not-your-moms-trans-101/
          e
          http://freethoughtblogs.com/nataliereed/2012/03/28/bilaterally-gynandromorphic-chickens-and-why-im-not-scientifically-male/

          E de qualquer forma, MESMO que isso não fosse assim, que sexo fosse completamente diferenciável de gênero (não é), homem/mulher são IDENTIDADES. Você deveria estar usando macho/fêmea então. Opa, mas qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento de diferenciação sexual humana e senso crítico sabe que macho e fêmea são categorias completamente falhas que não abarcam toda a variação fisica humana. Ou seja, o mais correto, biologicamente, já que estamos falando só de SEXO, seria falar sobre que característica exatamente estamos falando. Por exemplo, uma pessoa com cromossomos XY. Opa, mas tem mulheres cis XY, não dá. Então uma pessoa que tem testosterona? Também não dá, tem um monte de mulher cis aí que tem testosterona pra caralho. Então, já que estamos sendo biologicamente corretos, como você se propõe, devemos falar “pessoas com pinto” que, OLHA!, é exatamente o que a gente tá recomendando DESDE O COMEÇO.
          Por favor Letícia, você realmente acha que seu conhecimento de aulinha da sétima série e de 15 minutos de pesquisa é algo novo, pra um grupo de pessoas que passou a vida inteira rodeados e inseridos nessa questão? Você realmente acha que você tem moral de ensinar sobre gênero e sexo pra pessoas trans que passaram a vida inteira refletindo (e sofrendo) sobre esse assunto? Por favor, né.

        • Letícia F. July 1, 2012 at 04:38 -

          Vivien, é o seguinte: eu sempre respeitei você.

          Você não está me respeitando.

          Não me venha com esse papo de ~quem passou a vida inteira rodeado e inserido nessa questão~ porque o mundo é muuuuuuuuuuito pequeno e nós sabemos que você não está “inserida nessa questão” há tanto tempo quanto quer demonstrar. Vamos parar com a hipocrisia?

          Não aceito mais comentários agressivos. Acabou a conversa. Já dei espaço demais pra você falar.

          Ah, e por favor, eu coloco o link da ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE e você me vem com link de blog? Give me a break.

        • Vivien July 1, 2012 at 05:39 -

          Sim, pois eu só comecei a pensar no assunto pois um dia eu acordei querendo ser mulher, né? Nem foi uma coisa que me acompanhou pela vida inteira nem nada assim…

          Letícia, você realmente acha que ciência/OMS/qualquer coisa desse tipo é isenta? Se a OMS publicar algo sexista então tudo bem ser sexista? E olha, nem precisamos ir muito longe, tem psicologia evolutiva aí. Tem DSM, tem CID. Todos esses documentos são todos cagados. OMS não está magicamente fora da ideologia cissexista.
          E sobre ser blog… ué, mas não era a linguagem acadêmica que dificultava as coisas? Os dois links não tem linguagem acadêmica (e eu poderia passar horas aqui discorrendo sobre como produção de conhecimento fora da academia também é válida)

        • Letícia F. July 1, 2012 at 05:52 -

          Vivien, você já colocou 12 comentários neste post. Esse é o 13.

          Eu não estou falando da sua transição. Estou falando de hoje em dia, mesmo.

          Já que você trouxe à tona a ideia de que “eu não tenho a menor ideia do que é ser trans”, que “eu não tenho a menor ideia do que é ter seu corpo avaliado”, isso me dá a certeza de que estou no caminho certo. Porque você também não sabe o que é ter seu corpo avaliado/pesado/medido (eu não estou falando literalmente), porque você não cresceu como mulher!

          É tão difícil assim você entender que não existe privilégio em nascer mulher? Que não tem ninguém aqui querendo que trans sejam discriminados, maltratados? O que está acontecendo é uma imensa má vontade sua. E já que você faz comentários ofensivos a mim, eu me sinto no direito de fazê-los a você. Mas não quero. Por isso, nossa conversa ACABOU. Eu não publico mais seus comentários.

          Chega.

  24. Nina July 1, 2012 at 15:05 - Reply

    “Você jura que você está comparando coisas incomparáveis?”

    Não, Letícia, eu tô comparando algo que você não vive com o que você vive… Para ver se assim você entende que o argumento que você usou no seu texto é antigo, e você sabe disso. Você sabe o quão irritante é um homem dizendo-nos que nós, mulheres (cis ou não), não sabemos o quanto eles (idem) também sofrem com a sociedade machista/opressora é hipócrita e deixa transparecer que esse homem (idem x2, acho que já deu pra entender que pra mim nem todo homem nasceu com um pinto e vice-versa) não reconhece a violência que a mulher sofre dentro do contexto social como sendo, sim, maior que a dele.
    Existe um grupo de privilegiados, Letícia, e não me venha dizer que não existe. Homem, branco, hetero, classe média/alta, cis. Você não se encaixa em quantos? UM? Pois bem, aposto que você não falaria a uma pessoa negra que ela não sofre mais que você, que a vida é difícil para todos. Ou para um pobre que você também sofre – mesmo recebendo dinheiro da sua mãe, tendo internet em casa – e que a vida não é fácil para ninguém. Ou que os gays reclamam muito mas que ser hetero também é pesado.
    Letícia, viver não é fácil, ninguém nunca falou que seria. Mas você me dizer que não está dentro do grupo privilegiado pura e simplesmente por medo de assumir que errou é ignorância. Por favor, escute, se alguém se sente mal, ofendido, agredido com algo: devemos dar voz para que essa pessoa se defenda – e que escutemos tais argumentos sem tampões no ouvido, sem que nosso orgulho nos cegue.
    Se alguém lhe apresentou uma forma de sair disso – e sei que apresentaram muitas formas – porque não simplesmente dar-lhes ouvidos? Porque tem-se que dizer que você não está ofendendo ninguém? É como uma criança brincando com outra e leva um tapa. A agressora pode dizer que foi fraco, que não fez para machucar, mas se a outra se sentiu ferida: quem somos nós para julgar que aquilo, PARA ELA, não foi uma agressão violenta?
    Não se deixe cega apenas por orgulho e ego. Você sabe como é se sentir violentada e sabe como é ouvir do agressor que ‘não fez nada’.
    Por último e não menos importante: não faz diferença o tempo que a pessoa se reconhece como uma pessoa trans*. A diferença é que a partir do momento em que ela o faz, ela está inserida em um contexto que você NUNCA esteve. Se ela esteve lá por um milésimo de segundo a mais, não importa: foi mais tempo que você. Assuma!
    Você nunca vai saber como é. E se alguém sabe ha 2 ou 3 dias, ela já sabe muito, muito, muito mais que você.

    Acho que é isso. Espero que você consiga ir além dos seus preconceitos e orgulho. E dar ouvidos a quem quer ser escutado.

    • Letícia F. July 1, 2012 at 15:18 - Reply

      Nina, a minha questão com a Vivien é outra, ok?

      Eu pergunto a vocês se vocês estão fazendo esse tipo de perseguição a TODO mundo que escreve. Porque tem femininistas que estão jogando pedra em mim e NÃO incluem a palavra cis e trans nos seus textos. Pq eu?

      Não vou incluir as palavras no meu texto e já deixei isso muitíssimo claro.

      • Nina July 1, 2012 at 15:26 - Reply

        Letícia, eu não estou perseguindo você, não sei se outras pessoas estão. Fato é que sou do tipo chato que se eu leio algo que me desagrada, eu comento, mando e-mail, etc e tal. Não consigo ficar quieta e calada frente a algo que pode prejudicar outras pessoas – faça eu parte do grupo marginalizado ou não. E o seu texto me incomodou, menos que suas respostas. Não precisa incluir as palavras nos seus textos, isso foi uma das soluções citadas. Porque você insiste em ignorar isso? Já pensou que talvez por isso se sinta tão perseguida?

        • Letícia F. July 1, 2012 at 15:32 -

          Porque pra mim não faz sentido, Nino. Sexo e gênero são duas coisas diferentes!

          Eu não vou repetir o que já fiz em, sei lá, 40 comentários.

    • Henrique Índio do Brasil July 4, 2012 at 01:29 - Reply

      Nina, acho que todos sabemos que os trans passam por situações difíceis perante a sociedade que oprime, em diferentes maneiras, diversas “minorias”: negros, homossexuais, MULHERES, pobres, TRANS… Enfim, cada um passa por situações diferentes de opressão.

      O que a Letícia quis dizer nesse texto é que, quando se trata de questões sexuais, TODOS temos questões. Mesmo eu, homem, hétero, branco, classe média, posso ter uma vida sexual de merda por conta desse tratamento dado ao sexo ao longo das centenas de anos (algo sujo, sem informação etc).
      E sendo este um blog pessoal, cada um escreve um pouco sobre o que entende, O QUE NÃO SIGNIFICA QUE ESGOTAMOS O TEMA SEXUALIDADE. Nem para os CIS essas questões vão ser esgotadas aqui.

      Acho bem injusto chamar a Letícia de cissexista ou transfóbica, sendo que ela nunca emitiu um comentário que oprimisse as pessoas trans. Pelo contrário, já disse várias vezes que nem todo mundo que tem pau é homem e nem todo homem tem pau, por exemplo. Mas entendam: é IMPOSSÍVEL fazer um texto que se aplique a TODA a diversidade de pessoas que existem.

      Eu gostaria que alguém que REALMENTE ENTENDA sobre a sexualidade do ponto de vista trans (homens ou mulheres, cis ou trans, hetero ou homo) pudessem falar sobre. A Letícia já deixou o e-mail para que enviassem isso (e sobre qualquer outro assunto). Fica a sugestão

  25. Fabi July 2, 2012 at 08:38 - Reply

    Eeeee povinho insatisfeito. Gente se tão incomodados vão lá e façam vcs mesmos. Parem com isso. O blog mesmo falando de cis e hetero desmistifica mta coisa sobre preferencias sexuais eu mesma sou prova disso. Portanto parem, parem e façam algo para mudar o q vcs acham errado.

  26. Ka July 2, 2012 at 19:18 - Reply

    Pessoa coloca uns 30 comentários no post, inclusive falando que a Letícia está desprezando tudo o que as pessoas que estudam sobre gênero e que estão inseridas nessas questões falam. Aí vai e fala merda sobre DSM e CID, ignorando tudo o que os estudiosos de nosologia que estão inseridas nessas questões falam. Pode isso, Arnaldo?
    Gente, se eu resolver falar de qualquer assunto específico, eu vou deixar outros assuntos de lado. O nome disso é foco. Tipo, se meu foco é escrever para psiquiatras, provavelmente vou deixar a sociologia de lado. E vice-versa. É impossível falar com propriedade sobre TODAS as questões que as discussões sobre gênero trazem; primeiro porque essas discussões são muito recentes, ou seja, não é todo mundo que conhece, e segundo porque NINGUÉM tem propriedade para falar sobre todas elas. Vamos parar com a cagação de regra? Grata.

    • Letícia F. July 2, 2012 at 21:18 - Reply

      É exatamente isso, Ka. E grande parte das pessoas que me ~xingaram~ já admitiram na lista que não têm a menor ideia dessas questões de gênero. Mas aí alguém gritou CISSEXISTA! e todo mundo foi atrás.

  27. Amanda July 2, 2012 at 22:59 - Reply

    Letícia, vc tem dificuldades enormes em aceitar críticas, não importa o quão educadas e bem fundamentadas elas sejam. Na minha opinião, isso demonstra falta de maturidade intelectual (e quem tem, afinal?) e humildade. Não estou dizendo isso só por esse caso específico, mas muitos outros que acompanhei pelo cemhomens e pelo seu twitter. Talvez com o tempo isso mude, a gente vive em processo contínuo de desenvolvimento, e um dia nos tornaremos menos babacas, quem sabe.

    • Letícia F. July 2, 2012 at 23:16 - Reply

      Ah, então vai ter um momento em que você vai amadurecer e vai perceber que:

      1) Eu não te conheço e, portanto, não preciso da sua opinião;
      2) Que justamente por não nos conhecermos, qualquer análise que você faça acerca da minha personalidade vai ser falha?
      3) Que mesmo se nos conhecessemos, a sua opinião não é necessariamente certa?

      Esperemos.

      • Amanda July 3, 2012 at 23:33 - Reply

        Letícia, se vc não “precisa” ou não tem interesse na opinião de quem não te conhece não sei porquê vc tem um blog aberto a comentários de qualquer pessoa. Exatamente por não achar que os meus pensamentos são verdade absoluta que frisei o “na minha opinião”, se fosse algo científico, não usaria essa expressão, faria uma afirmação fundamentada com argumentos sólidos de quem sabe do que está falando. É isso, uma opinião, não é verdade absoluta nenhuma, é baseada em impressões que tive desde que comecei a acompanhar os seus espaços na internet, desde o site da Nova, aliás.
        Em nenhum momento desconsiderei tudo o que vc já escreveu por aí, inclusive porque tem muitas coisas boas tbm. Foi uma crítica sobre a forma como vc recebe críticas, e vc a corroborou. Apenas isso.

        • Letícia F. July 3, 2012 at 23:51 -

          Amanda, se você me acompanha desde o início, você deve saber de tudo o que já passei por causa desse blog. Se eu não suportasse críticas, eu já teria abandonado isso há muito tempo. Mas eu gosto de críticas, especialmente de quem nos últimos dois meses só fez dois comentários aqui – e justamente pra me criticar? Não. Realmente, não.

          Você gosta?

          Se você me lê há um ano e meio e eu não sei nem quem você é (e, acredite, eu sei o nome/nick dos meus leitores), sinal de que você só quer encrencar.

          Uma última pergunta: você gosta de ser criticada? Milhares de vezes a cada mês?

        • Amanda July 4, 2012 at 00:07 -

          Letícia, não é a primeira e nem a segunda vez que eu comento nos seus espaços! Já comentei no site da nova e no cemhomens algumas vezes sim, e com elogios em todas elas, aliás. Desculpe se não comentei o tanto quanto vc gostaria para ter o direito de fazer uma crítica (?!) E eu não quero “só encrencar” com nada, cara, não tenho tempo pra semear a discórdia por aí não.
          Eu entendo o que vc já passou, e entendo que receber críticas não é necessariamente uma delícia, mas eu acredito que não é justo vc comparar o meu comentário (mesmo que indiretamente) com o dos haters escrotos que vc tinha e que faziam (ou fazem) aquelas coisas c vc, eu tentei ser educada e clara, se eu não consegui, peço desculpas sinceras, contudo, o conteúdo é a minha opinião mesmo, vc reage muito mal mal à críticas, só isso. Abraços.

        • Letícia F. July 4, 2012 at 00:10 -

          Amanda, aparece aqui pra mim quantos comentários a pessoa já fez, junto ao e-mail e ao IP.

        • Amanda July 4, 2012 at 00:17 -

          nossa, que incrível, desde o site da Nova? não me lembro das datas e de todos os posts no último ano e meio, desculpe.

        • Letícia F. July 4, 2012 at 00:20 -

          Amanda, isso não é importante agora. O que importa é que você tem sua opinião, mas você não sabe criticar a minha opinião, vc ME critica. Olha, eu prometi a mim mesma que não ia mais tratar desse assunto essa semana. Daqui a alguns dias eu vou reproduzir aqui um texto que explica bem meu ponto de vista. Estou traduzindo ainda.

        • Amanda July 4, 2012 at 00:31 -

          Vc está certa, eu não critiquei a sua opinião nesse caso (exatamente pq eu não entendo quase necas do que vcs tão falando, não me sinto à vontade pra falar sobre o assunto, tô aqui quietinha ouvindo), eu critiquei vc mesmo, por uma coisa que eu observo já há um tempão (a coisa das reações às críticas), e agora nem sei mais se eu deveria, mas como o blog é aberto e eu acompanho há tempos decidi falar. Desculpe mesmo Letícia, não quero te chatear, de verdade. Deixa isso pra lá e cada um com seus demônios. Vc não me ofendeu, nem a quem eu gosto, então pra mim foi só uma opinião mesmo, sem segunda intenção nenhuma, se ofendeu num dia ruim, desculpe. Abraços, vou aguardar a tradução.

        • Letícia F. July 4, 2012 at 00:39 -

          Amanda, eu não me ofendi. Mas eu estou sendo repetidamente agredida por causa desse assunto. Parte dessas pessoas não tem nenhum conhecimento sobre o assunto e já assumiram isso. Mas na hora de criticar, se uniram como manada e me encheram o saco em TODAS as redes sociais, a ponto de eu sair de dois grupos de discussão.

          Sabe como essas pessoas se referem a mim? “Die cis scum.”

          Isso parece razoável?

          É fácil falar quando não é o seu que está na reta.

  28. July 3, 2012 at 11:39 - Reply

    “Escrever um texto sobre amar a própria buceta, ser hétero e gostar de chupar um pau, bem como, defender espaços exclusivos para mulheres não é cissexista e heteronormativo. No primeiro cenário descreve-se alguém confortável no gênero e corpo biológico que possui, onde não há qualquer culpa em usufruir da própria sexualidade. No segundo, um direito, vivemos em um tempo onde mulheres ainda são silenciadas e violentadas sexualmente, fazendo-se necessário um espaço muito específico para troca de experiências e empoderamento coletivo daquelas que partilham uma história em comum.”

    Imagine que em absolutamente toda a manifestação verbal ou escrita você tenha que considerar todas as minorias. Em exemplo, explicar que você acha determinado tipo físico bonito: “Acho muito atraente moças negras, gordas, altas, de cabelo crespo”.
    Isso quer dizer que você odeia ou ignora mulheres brancas, magras, baixas do cabelo liso? E as cadeirantes? E as indígenas? E as com traços peruanos? E as asiáticas? E as albinas? Por mais espontaneidade e menos patrulhamento linguístico e moral, do contrário, é retrocesso de uma ortodoxia renovada.

    “A grande ameaça ao Queer não são as feministas, elas aliás, foram as responsáveis pela abertura do questionamento das dicotomias de gênero. E o inimigo do Feminismo não é o Queer, é o Patriarcado.”

    http://aqueladeborah.wordpress.com/2012/07/03/queer-x-feminismo-radical-overreacted/

    Letícia! Li esse post nesse blog e acho que ele diz tudo o que eu queria expressar sobre essa questão! A polêmica entorno do texto publicado me parece mais uma picuinha direcionada a você do que um questionamento legítimo, visto que, era um texto literário que tinha um RECORTE sem intenções segregacionistas.

    Força aí!

    • Letícia F. July 3, 2012 at 14:34 - Reply

      Bê, obrigada! Eu já estava lendo outras coisas do blog da Deborah, mas ainda não tinha chegado nesse. Já pedi a ela via Twitter pra reproduzi-lo aqui.

      Beijo.

  29. Thais July 4, 2012 at 01:33 - Reply

    Lê, eu li alguns comentários sobre a polêmica acima (haja tempo para ler todos) e, assim como há gente para criticar, quero deixar minha opinião favorável a você e ao blog. Na boa, acho que seus textos sempre estiveram mais voltados para um público específico (heterossexuais). Quem te acompanha percebe isso. E vejo que vc tenta abordar os assuntos evitando, justamente, reproduzir preconceitos. Cara, eu nem sabia que existia o termo “cissexista, cissexual” ou whatever e vim aprender isso aqui. Essa patrulha do politicamente correto é muito chata! O que importa é que temos alguém com a mente aberta, inclusive oferecendo espaço para outras pessoas escreverem sobre o assunto. De resto, a meu ver, as reclamações não chegam a lugar algum. Mera retórica improdutiva.

  30. Vivian July 5, 2012 at 11:39 - Reply

    Eu sei que nem se eu babasse de falar aqui ia adiantar pra essas pessoas… No entanto não pude me aguentar com tantos comentários.
    Eu sempre estudei gênero academicamente, sempre fui feminista e mesmo participando de grupos e de projetos que abarcavam tudo enquanto é tipo de sexualidade dissidente(fora da matriz heterossexual) eu TIVE que fazer um recorte epistemológico pra conseguir me aprofundar sobre um assunto. E ora vejam só, escolhi violência de gênero, falar de machismo! Isso foi o que me fez sofre na minha vida, nada mais natural do que falar sobre isso. Necessariamente tinha que ser sobre isso?a gte só é capaz de dizer sobre o que nos afeta diretamente??claro que não!mas é o que normalmente ocorre…
    Agora o blog da Lê é um tipo de jornalismo feito para ser palatável…a informação tem que vir de uma forma que seja compreensível para a maior parte das pessoas..
    ela começou falando de mulher que tem uma sexualidade libertária e já foi quase apedrejada. Pelo menos virtualmente foi!
    Aos poucos pessoas que talvez NUNCA fossem pensar sobre esses assuntos estão sendo introduzidas e não é demérito ela não estar usando uma linguagem tecnicista e prescritiva.
    Vocês pessoas que tão aí lutando pelos direitos LGBTTTTT(zzzz) deveriam já ter percebido que não é rotulando e criando novas categorias de gênero é que vamos conseguir chegar a alguma igualdade. Sexualidade é performativa e o que nos importa no final é o respeito à diferença e não sua produção. Temos que perceber a diferença entre visibilidade e uma simples pelega.

  31. Bruxinha July 5, 2012 at 19:43 - Reply

    WTF é Cis? Nunca ouvi esse termo

    • Letícia F. July 5, 2012 at 20:15 - Reply

      Em breve vou colocar um post a respeito.

  32. ana July 11, 2012 at 13:21 - Reply

    Nossa, pelo visto não existe mesmo um blog para trans porque a turma não pára de comentar por aqui… vislumbrei agora uma ótima oportunidade de negócio!

  33. Aline July 12, 2012 at 21:15 - Reply

    Até esse post nunca tinha ouvido o nome CIS. TRANS eu já tinha ouvido e sempre pensei, simplificadamente, que fosse o seguinte: Uma pessoa que nasce em um determinado sexo e se identifica com o outro sexo, mudando sua aparência para ficar semelhante a uma pessoa do outro sexo, não sendo necessariamente homossexual. Por exemplo, pode existir uma pessoa do sexo masculino, que seja trans e heterossexual, ou seja, que sinta atração por pessoas de sexo feminino. Esta pessoa teria características do sexo feminino, como por exemplo Seios, ou ter feito uma cirurgia de mudança de sexo, de “homem” para “mulher” e ainda assim continuar gostando de “mulheres”.E um gay, pode ser cis.
    Não entendi o por que um conto pode estar apresentando preconceito contra Trans, uma vez que o conto era sobre uma relação hétero, entre pessoas CIS.
    Por que precisar especificar?
    E por que quem reclama não se prontifica a escrever textos não cis-sexistas para postar aqui? Textos bons, que promovam conhecimento e agrade as pessoas.
    E claro, sempre simplificando as coisas, por que eu como feminista sempre tento simplificar, um vez que desejo que as pessoas me entendam e que possam partilhar comigo minhas opiniões. Se as pessoas tiverem dificuldade de entender o que eu escrevo ou falo, como vão se identificar comigo ou com minha causa?
    Acho que é isso.

    Aline

  34. roberto July 20, 2012 at 17:53 - Reply

    que merda de site tem pessoas que escrevem um biblia no comentario e povinho desocupado!!!

    • Letícia F. July 21, 2012 at 13:54 - Reply

      Puxa vida

  35. Natália August 16, 2012 at 17:51 - Reply

    Não dá pra crer: A Letícia ‘quase baba’ de falar repetidamente que os textos aqui expostos, são opiniões PESSOAIS, vivências DELA… E a Vivian fala do blog (Sim, gente, isso aqui é um blog) como ‘Agora o blog da Lê é um tipo de jornalismo feito para ser palatável…a informação tem que vir de uma forma que seja compreensível para a maior parte das pessoas..’

    Sério, até rí quando li. Acho q a pessoa associa o fato de você ter feito jornalismo à alguma ~obrigatoriedade~ do contéudo deste blog (de novo: UM BLOG).

    Só pode.

Comente »