Não namoro há dois anos. Não me apaixono de verdade há três. Encontrei alguns amores nesse tempo, amantes, amigos e afins; tive duas paixonites fortes, dessas que te deixam de cama. Persisti um pouco nas duas, mas levantei a guarda rapidinho ao escutar dos meus alvos que não ia rolar. Um deles até aconteceu, mas de um jeito tão torto e abusivo… prefiro comentar depois. Isso não é drama – eu escolhi, muitas vezes, não me apaixonar ou me envolver com pessoas cujo comportamento me levavam a lugares comuns dos quais me distanciei conscientemente. Mas, o que isso tem a ver com o tema do post?
TUDO!
Em 2012 duas pessoas tiveram sintomas graves de paixonite por mim. O primeiro não deu certo, mas ainda durou algumas semanas. O segundo sequer aconteceu. Eu não gostava dele romanticamente. Ponto comum aos dois rapazes: ambos achavam que o sentimento deles por mim era um prêmio. Sabedores da minha solteirice e do meu coração inabitado, eles julgaram que a paixão – deles por mim – seria motivo suficiente para eu querer estar com eles.
Grande erro: amor não é merecimento. Não, você escovar os dentes, ser bacana com a família e cuidar do cachorro não garantem a você um amor. Você estar apaixonado por mim também não garante a reciprocidade.
Essa ideia embutida em filmes e histórias de amor (e que a gente engole) esquece um bom bocado de elementos necessários para o amor ser mútuo, né? Primeiro: a química! Porque, afinal, você quer transar, beijar, abraçar e morder a pessoa amada. E química é sempre recíproca, qualquer coisa diferente disso é desejo projetado, do tipo que você tinha por um dos Backstreet Boys na adolescência.
Se você venceu a barreira da química, bom, significa que os dois têm tesão. E nada mais! Sentir atração física também não é condição suficiente para amar uma pessoa. Claro, cada um sabe o tipo de relacionamento mais adequado para sua vida, mas, no meu caso, ele é um grande caldeirão de ideais, conversas, tesão, paixão, crenças e outra infinidade de elementos. E isso muda constantemente. Então por que acreditar ser suficiente uma das pessoas estar apaixonada/amando para o outro corresponder ao sentimento?
Fomos criados em uma sociedade patriarcal, machista, capitalista e, em maioria, católica. Doutrinas que pregam a meritocracia, no céu e na terra, levando a acreditar na recompensa por todos os bons atos, criando pessoas movidas a sentimentos egocêntricos de serem premiados. Mas, vejam só, isso não existe! A vida acontece independente de você ter sido bom ou mau, ter reciclado o lixo, tomado chá com sua avó, elogiado o chefe e amado a menina linda do escritório.
Com o amor funciona do mesmo jeito. Não podemos cobrar do outro um sentimento particular. O amor não é o prêmio pela sua insistência em fazer ser notado, o nome disso é petulância. Então, quando se apaixonar, sinta-se feliz por poder ter esse sentimento, independente de ele ser recíproco. Amar é bom. Ser amado pode ser um saco…










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